sexta-feira, 17 de maio de 2013

Aquecimento global não parou

Aquecimento global não parou, diz mais conhecido cientista do clima
José Eduardo Mendonça - 17/05/2013 às 12:27


Afirmações em contrário são “táticas diversionistas”

As afirmações de que o aquecimento global foi brecado são uma tática daqueles que querem confundir o público sobre a mudança do clima, disse hoje em entrevista à rádio BBC 4 o mais conhecido cientista do assunto, o professor James Hansen. Ele foi o primeiro no mundo a alertar sobre o problema, em 1988.

Desde 1998, quando o fenômeno El Niño causou um grande aumento de temperaturas globais, a taxa de aquecimento desacelerou, levando alguns céticos a sugerir que a mudança do clima havia cessado ou que os efeitos do aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera não eram tão grandes quanto se acreditava.

Balela, disse Hansen. “Na última década, o aquecimento foi de apenas de um décimo de um grau, comparado a dois décimos na década anterior, mas isto é apenas variabilidade natural. Não há qualquer razão para uma surpresa em torno disto. Se examinarmos um período de 30 a 40 anos, o aquecimento esperado é de dois décimos de grau por década, mas isto não significa que vai haver o mesmo aquecimento em cada década. Há variação natural demais,” disse ele.

Segundo ele, o foco em alguns “detalhes” é uma cortina de fumaça. “Isto é uma tática diversionista. Nosso entendimento do aquecimento global e da mudança do clima induzida pelo homem não foi afetado de jeito nenhum. Os céticos querem confundir o público. Eles levantam questões menores e esquecemos qual é a questão principal. E ela é que o dióxido de carbono continua a aumentar e isto irá produzir uma mudança climática que provocará alterações dramáticas se não começarmos a reduzir suas emissões.”

James Hansen dirigiu o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA até abril de 2013, e é professor do Departamento da Ciências Ambientais e da Terra da Universidade Columbia, em Nova York. Seu testemunho perante uma Comissão do Congresso em 1988 popularizou a questão da mudança do clima nos Estados Unidos.

O cientista acredita que devemos colocar um preço mais alto sobre o carbono, que não discrimine qualquer combustível em particular, baseado em dólares por tonelada de carbono. “Mas devemos começar a encerrar as emissões de combustíveis fósseis nas próximas décadas, e isto exigirá que seus responsáveis paguem seu custo verdadeiro à sociedade.”

Ainda, acha que as empresas de combustíveis fósseis “podem ter um futuro”: “Elas podem se tornar companhias de energia. Investem dinheiro em outras formas de energia, mas em pequenas quantidades, porque sabem que podem subornar governos mais facilmente que fazer investimentos em energia limpa,” disse ele ao Euractiv.



Fonte: Planeta Sustentável